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Aristóteles

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Aristóteles (gr. Ἀριστοτέλης) foi o mais importante dos discípulos de Platão e, assim como ele, teve profunda e duradoura influência no pensamento ocidental, até mesmo durante a Idade Média.

Biografia

Nasceu em Estagira, na Calcídica, em -384; era filho de Nicômaco, médico pessoal de Amintas, rei da Macedônia (-393/-370), pai de Felipe II (-382/-336) e avô de Alexandre III (-356/-323). Nada sabemos de sua juventude; mas podemos imaginar que, graças ao pai, desenvolveu um certo gosto pelas ciências naturais. Viveu em Atenas e estudou na Academia de Platão entre -367 e -347. Após a morte do mestre, ficou três anos em Atarneus (ou Assos), perto de Tróia, juntamente com Teofrasto (-371/-287) e outros ex-alunos da Academia, e casou-se com Pítias, filha de Hérmias, tirano local e também ex-aluno de Platão. Em -345 foi para Mitilene, em Lesbos, onde, ao lado de Teofrasto, realizou a maior parte de suas famosas investigações biológicas. Em -343 aceitou tornar-se preceptor de Alexandre, filho de Felipe II, então com treze ou quatorze anos; nessa época, ficou amigo de Antípatro (-397/-319), um dos futuros diádocos. Viveu em Pela, na corte macedônica, até -335, quando Alexandre subiu ao trono. De volta a Atenas, no mesmo ano, fundou o famoso Liceu[1], ou “escola peripatética”, assim chamada devido ao hábito do filósofo de discutir e ensinar enquanto passeava (gr. περιπατέω) pelas alamedas da escola. Lá, ele e seus discípulos realizaram pesquisas filosóficas e científicas em alta escala e reuniram vasto material referente a todo o conhecimento da época. Aristóteles dirigiu o Liceu até -323, pouco depois da morte de Alexandre III. Devido à grande animosidade dos atenienses contra os macedônios, deixou a escola aos cuidados de Teofrasto (-371/-287) e retirou-se para Cálcis, na Eubéia, onde morreu no ano seguinte, -322.

Obras sobreviventes

Καὶ ἔστι τοῦ φιλοσόφου περὶ πάντων δύνασθαι θεωρεῖν. [E é próprio do filósofo ser capaz de estudar tudo.] Aristóteles, Metaph. 1004a-b Aristóteles publicou grande quantidade de obras de caráter didático, destinadas ao público em geral, sob a forma de diálogo. Nenhum desses textos exotéricos (“externos”) chegou até nós; possuímos apenas pequenos trechos e um ou outro resumo. Sobreviveram somente os escritos esotéricos (“internos”), concisos e de caráter mais técnico, baseados nas anotações do filósofo para aulas e exposições destinadas aos discípulos da escola entre -335 e -323. A primeira edição da obra de Aristóteles data possivelmente do final do século -I e foi preparada por Andrônico de Rodes, de quem quase nada se sabe. Tradicionalmente, os textos aristotélicos (lat. corpus aristotelicum) ainda são agrupados de acordo com essa edição. Eis uma classificação simplificada dos textos, proposta por Luce (1994): Lógica Categorias, Da interpretação, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos, Refutações sofísticas Ciências Naturais (“Física”) Do Céu, Da Geração e Corrupção, Meteorologia, Física (sc. “o mundo natural), Metafísica Ética Ética a Eudemo*, Ética a Nicômaco, Magna moralia* Psicologia Da alma, Da sensação e do sensível, Da memória, Do sono e da vigília, Dos sonhos, Da adivinhação pelos sonhos, Da extensão e brevidade da vida, Da juventude e da velhice, da vida e da morte, da respiração Biologia Investigações sobre os Animais, Das partes dos animais, Do movimento dos Animais, Do modo de andar dos animais, Da geração dos animais Política Política, Constituição dos atenienses* Crítica literária Retórica, Poética Os textos de lógica são conhecidos, em conjunto, por Organon (gr. ὄργανον), que significa “instrumento, ferramenta”. Metafísica não é uma palavra aristotélica; originalmente, designa os livros do tratado que vem logo depois da Física (gr. μετὰ τὰ φυσικά), nas antigas edições do corpus aristotelicum, e apenas em nossos dias assumiu a conotação de “estudo da realidade do ser e da existência”. Os textos assinalados com o sinal + são coletivamente conhecidos por Parva naturalia, “pequenos tratados sobre a Natureza”. Temos ainda muitos fragmentos e alguns poemas, como o Hino à virtude, atribuídos a ele sem justificativas apropriadas; muitos tratados que acompanham o corpo aristotélico não são considerados autênticos pelos estudiosos; os três mais importantes estão marcados, na lista acima, com o sinal +. Ética a Eudemo não é, com certeza, de Aristóteles; Magna Moralia parece ter sido escrito por um discípulo de Aristóteles, baseado nas aulas dos mestre; e a Constituição dos Atenienses chegou até nós em papiro, à parte do corpus aristotelicum.

O pensamento de Aristóteles

Τῆς παιδείας ἔφε τὰς μὲν ῥίζας εἶναι πικράς, τὸν δὲ καρπὸον γλυκύν. [A educação tem raízes amargas, mas os frutos são doces.] Aristóteles, in D.L. 5.18 Aristóteles rejeitou a teoria das formas (“idéias”) de seu mestre, Platão, pois ela envolvia conceitos excessivamente abstratos; para ele, existem apenas seres e objetos concretos e reais, que podem ser percebidos pelos sentidos e analisados em termos de forma, constituição, construção e finalidade. Todas as coisas têm caracteres gerais, que permitem agrupá-las, e caracteres específicos, que as distinguem umas das outras. Esse “sistema” permeia toda a obra de Aristóteles. Sua contribuição fundamental à Filosofia foi, no entanto, a criação da lógica formal e da lógica material, métodos que organizam e ordenam o raciocínio e o pensar. Dentre outras importantes contribuições, cite-se a retórica, estudo da palavra, uma das mais distintivas características do homem; a ética, estudo dos princípios racionais da virtude humana; e a política, estudo do comportamento do homem em comunidade. Aristóteles estudou, ordenou, classificou e escreveu a respeito de toda a ciência e toda a filosofia antiga; “não teve continuadores, e sim comentadores” (Humbert, 1961). O pensamento aristotélico dominou de forma absoluta a Idade Média ocidental, influenciou os árabes e continuou praticamente incontestado até o século XIX. Notas 1. O filósofo Aristóteles construiu, por volta de -335, uma escola de filosofia perto de um bosque consagrado a Apolo Lykeios; daí o nome “Liceu”. Esse epíteto de Apolo é um tanto obscuro. Pode ser interpretado como “da Lícia”, referência a uma das possíveis origens do mito; “destruidor de lobos”, conseqυência da palavra λυκῆ, “pele de lobo”, e de alguma antiga lenda que não chegou até nós; ou ainda “luminoso”, que deriva da palavra *λύκη, “luz”.

Fonte:http://greciantiga.org

Contexto Histórico

Reflexões

Filme – O Enigma de Kaspar Hauser Exemplo de duas teses aristotélicas.

1ª – Zoon politikon (animal político). Para Aristóteles “o homem é por natureza um animal político”

2ª – Princípios lógicos No caso específico do filme, o professor de Lógica tenta demonstrar a dupla negação(~~A) para Kaspar Hauser.

Conceitos

Sobre Sanabria

No registro consta José Roberto, mas vulgarmente conhecido por Sanabria, muito prazer. Sou professor de Filosofia, Músico e Publicitário. Continua no próximo episódio... San

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